Sergio Camargo

Construtor de ideias

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Curadoria

Piedade Grinberg

Período

11 mai > 28 set 2013

Local

IAC | Muba
Doutor Álvaro Alvim, 76, São Paulo

Apoio

Ministério da Cultura, Itaú, Instituto de Arte Contemporânea, Banco Fibra

Artistas na exposição

Sergio Camargo

Como condição primeira, operamos em campo específico, autônomo, incondicional, irredutível, sob pena de inoperância. Resguardar, preservar, defender — sempre — o poder da decisão criativa.


O escultor Sergio Camargo (1930-1990) como artista contemporâneo tem, a seu favor, uma variedade infinita de possibilidades em que a criação é liberada, transformando o fazer artístico — as obras — em revelações constantes e surpreendentes, por meio de seu arquivo pessoal e documental, seus protótipos e modelos em madeira, mármore branco e negro belga, e também pequenos estudos de relevo.


A possibilidade de ter acesso ao arquivo documental e pessoal desse artista, além do privilégio revelador desses pequenos objetos e seus elementos — em comodato no Instituto de Arte Contemporânea de São Paulo —, cria circunstâncias novas e inusitadas em relação à percepção de sua obra como um todo. No que diz respeito especificamente aos arquivos escritos, as descobertas dos segredos sutilmente guardados, os pensamentos iniciais, exigem uma parcela de indiscrição, de invasão da privacidade e de indiscutível constatação da dimensão da intimidade. Pequenas anotações, esquemas, rabiscos, dizeres, frases soltas revelam muitas vezes curiosidades, recriam ideias, inovam atitudes em relação à leitura da especificidade do conjunto de seus trabalhos e desvelam sutilmente sua forte personalidade artística. São documentos importantes e imprescindíveis para o artista; o passado, o presente e o futuro neles se condensam.


As entrevistas gravadas e filmadas são momentos preciosos para a percepção de ocasiões únicas em que o artista surge diante da câmera e do entrevistador para desvelar, com sua personalidade imponente e intensa, conceitos precisos sobre suas influências artísticas, culturais e filosóficas. Revela que sempre sentiu dificuldade em conceituar as suas obras — “não defino minha obra, os outros que o façam” —, denunciando sutilmente sua emoção diante dos trabalhos no ateliê, com um olhar distante ou pensativo, um sorriso discreto, um silêncio prolongado.


Guardados e conservados pelo artista, arcabouços, esboços, pequenos detalhes que decorrem dos croquis, rascunhos e projetos são muitas vezes a permanência e a essência do método aplicado pelo artista.


Sergio Camargo declarava sistematicamente que esse método decorria de uma percepção definida: fazia pequenas anotações que guardava, utilizando-as somente depois de algum tempo. Aplicava então um sistema de aceitar ou rejeitar a forma preconcebida, fosse no esquema, no esboço ou no trabalho concluído. Para um trabalho ser satisfatório eram necessários inúmeros esboços ou ensaios que seriam rejeitados ou aprovados pelo artista com o objetivo de alcançar uma forma mais completa e precisa. São esses elementos desenhados e compostos em papel comum, quadriculado, em pequenos rascunhos, a lápis ou à caneta que integram esse arquivo, revelando a decisão criativa.


Aqui, ali recolho amostra que percebo; olho, tento conhecer e demoro. Logo a viro e tento o que ela pode ou dá — e vira, e faço. Às vezes nos entendemos.”


Piedade Grinberg


A exposição fez itinerância no Paço Imperial, Rio de Janeiro

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